terça-feira, 20 de março de 2012

Projeto do CEU Continental – Guarulhos

Centro de Educação Unificado – CEU

Nos CEUs, a Prefeitura desenvolve um conjunto de ações: educação, esporte, cultura e lazer.   
Os CEUs recebem milhares de pessoas por semana, nos diversos cursos e atividades, como cinema, aulas de futsal, vôlei, basquete, natação, ginástica rítmica, artes plásticas, música, danças brasileiras e teatro.
O projeto dos Centros de Educação Unificados estende a escola pública como um todo, com seu conjunto de necessidades, potencialidades, como espaço privilegiado de relações sócio-educacionais, de convívio familiar e comunitário.

A Prefeitura já entregou a primeira fase de seis CEUs: Ponte Alta, Bambi, Taboão, Ottawa-Uirapuru e Cumbica. As unidades funcionam todos os dias, das 8 às 20 horas, com freqüência semanal de mais de 5 mil pessoas, que contam com piscinas, telecentro, centro de incentivo à leitura, além de cursos de artes, música, teatro e atividades esportivas, como natação, ginástica, futsal, basquete e vôlei. Até o final deste ano Guarulhos terá dez CEUs.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012





A Arte da Guerra de Sun Tzu - Meu resumo pessoal

Li a Arte da Guerra de Sun Tzu tantas vezes que acabei fazendo um resumo do livro.
Tenho 4 edições diferentes contando com uma edição mais recente que adquiri outro dia.
Já dei uma boa folheada nesse livro novo e já notei algumas diferenças na tradução, depois de ler inteiro acrescento aqui.

Fazer esse resumo: Ajudou-me muito em vários momentos da minha vida e acabei anotando o que achei mais relevante. Com o tempo notei que o que estava escrito ali poderia ser usado em algumas situações no meu dia-dia, nas relações de família, no trabalho, pessoas, etc. Muitos descobriram isso e escreveram  até seus  próprios livros sobre isso.
Substituindo algumas palavras como; Guerra, Batalha, Operação Militar por qualquer outra como Empresa, Concorrência, Mercado, administrar, sucesso ou até batalha de egos conseguimos obter do texto o mesmo ensinamento, é bem interessante.

Quero compartilhar com vocês o meu resumo.

Faço aqui uma observação importante: O livro de Sun Tzu, “assim como “O PRÍNCIPE” de Maquiavel”, “O CONTRATO SOCIAL” de Jean Jacques Rousseau, “O CAPITAL” de Karl Marx, e até “UTOPIA” de Thomas Morus, precisam ser adaptados para nossa realidade, pois os tempos eram outros e bem violentos, em nossa época onde já estamos cansados de ver que violência só gera mais violência e não resolve problema algum, devemos tirar o lado bom destas obras.

Bem, voltemos ao resumo de “A ARTE DA GUERRA":

PREPARAÇÃO DOS PLANOS

Sun Tzu disse:

A arte da guerra é de importância vital para o estado. É uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim, em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
A arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que devem ser levados em conta. São: a Lei Moral; O Céu; a Terra; o chefe; o Método e a disciplina.
A Lei Moral faz com que o povo fique de completo acordo com seu governante, levando-o a segui-lo sem se importar com a vida, sem temer perigos.
O Céu significa a noite e o dia, o frio e o calor, o tempo e as estações.
A Terra compreende as distâncias, grandes e pequenas; perigo e segurança; campo aberto e desfiladeiros; as oportunidades da vida e morte.
O chefe representa as virtudes da sabedoria, sinceridade, benevolência, coragem e retidão.
Deve-se compreender por Método e disciplina a disposição do exército em subdivisões adequadas, as graduações de posto entre os oficiais, a manutenção de estradas por onde os suprimentos devem chegar às tropas e o controle dos gastos militares.
Esses cinco fatores devem ser familiares a cada general. Quem os conhecer, será vencedor; quem não os conhecer, fracassará.
Toda operação militar tem o logro como base.
Por isso, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes;
ao utilizar nossas forças devemos parecer inativos;
quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe;
quando longe, devemos fazê-los acreditar que estamos perto.
Preparar iscas para atrair o inimigo. Fingir desorganização e esmagá-lo. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranqüilo não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado.
O general que faz muitos cálculos vence uma batalha; o que faz pouco, perde. Portanto, fazer cálculos conduz à vitória e poucos à derrota.

GUERRA EFETIVA

Quando nos empenhamos numa guerra verdadeira, se a vitória custa a chegar, as armas dos soldados tornam-se pesadas e o entusiasmo deles enfraquece. Se sitiarmos uma cidade, gastaremos nossa força e se a campanha se prolongar, os recursos do estado não serão iguais ao esforço. Nunca esqueça: quando suas armas ficarem pesadas, seu entusiasmo diminuído, a força exaurida e seus fundos gastos, outro comandante aparecerá para tirar vantagem da sua penúria. Então, nenhum homem, por mais sábio, será capaz de evitar as conseqüências que advirão.

ENERGIA

A confusão simulada requer uma disciplina perfeita;
o medo fingido exige coragem;
a fraqueza aparente pressupõe força.
Esconder a ordem sob a capa da desordem é apenas uma questão de subdivisão;
ocultar a coragem sob um ar de timidez pressupõe um fundo de energia latente;
mascarar a força com a fraqueza é ser influenciado por disposições táticas.
(Essa parte do livro é fantástica! Lembraram-me algumas regras dos samurais que li uma vez em um quadro no consultório de um médico)
Assim, aquele que for hábil em manter o inimigo em movimento, conserva uma aparência decepcionante, de acordo com a qual o inimigo irá agir. Sacrifica uma coisa que o inimigo poderá pegar; lançando iscas, ele o mantém em ação; então, com um corpo de homens selecionados, fica à sua espera.
O guerreiro inteligente procura o efeito da energia combinada e não exige muito dos indivíduos. Leva em conta o talento de cada um e utiliza cada homem de acordo com sua capacidade. Não exige perfeição dos sem talento.

PONTOS FORTES E FRACOS

Mesmo que o inimigo seja mais forte em tropas, podemos impedi-lo de combater. Planeje de forma a descobrir seus planos e a sua probabilidade de sucesso. Provoque-o e descubra a base da sua atividade ou inatividade. Force-o a revelar-se, de forma a exibir seus pontos vulneráveis. Compare meticulosamente o exército adversário com o seu, de forma a saber onde a força é superabundante e onde é deficiente.
O que o vulgo não pode compreender é como a vitória pode ser obtida por ele a partir das próprias táticas do inimigo.
Na guerra, pratique a dissimulação e terá sucesso. Mova-se apenas se houver uma vantagem real a ser obtida. Deixe que sua rapidez seja a do vento; sua solidez a da floresta.
Pondere e delibere antes de fazer um movimento. Vencerá quem tiver aprendido o artifício do desvio. Essa é a arte de manobrar.

O EXÉRCITO EM MARCHA

Se, ao treinar soldados, as ordens forem diariamente reforçadas, o exército será bem disciplinado; do contrário, sua indisciplina será nefasta.
Se um general demonstra confiança em seus soldados, mas insiste sempre em que suas ordens sejam obedecidas, a vantagem será mútua. A vacilação e a meticulosidade exagerada são os meios mais eficazes de solapar a confiança de um exército.

O TERRENO

O general que avança sem desejar fama e recuar sem temer o descrédito, cujo único pensamento é proteger seu país e prestar um bom serviço ao soberano, é a jóia do reino.
Trate seus soldados como seus filhos e eles o seguirão aos vales mais profundos; trate-os como filhos queridos e o defenderão com o próprio corpo até a morte.
Se, porém, você for indulgente, mas incapaz de fazer valer sua autoridade; bondoso, porém incapaz, além disso, de dominar a desordem, então seus soldados ficarão iguais a crianças estragadas; ficarão inúteis para o que for.
O soldado experiente, uma vez em marcha, nunca fica desorientado; uma vez que levantou acampamento, nunca fica perplexo. Daí o ditado: se você conhece o inimigo e a si mesmo, sua vitória não será posta em dúvida; se você conhece o Céu e a Terra, pode torná-la completa.

AS NOVE SITUAÇÕES

Em terreno dispersivo, não lute.
Em terreno fácil, não pare.
Em terreno controverso, não ataque.
Em terreno aberto, não tente barra o caminho do inimigo.
Em terreno de estradas cruzadas, una-se aos seus aliados.
Em terreno sério, saqueie.
Em terreno difícil, marche sempre.
Em terreno cercado, recorra a estratagemas.
A rapidez é a essência da guerra. Tire partido da falta de preparação do inimigo, marche por caminhos onde não é esperado e ataque pontos desprotegidos.

ABUSE DA SUTILEZA

E a melhor frase de Sun Tzu: “As armas são sempre motivo de maus pressentimentos…”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011




PARABÉNS GUARULHOS
Por Vanderlei Muniz


Em 8 de dezembro de 1560, Guaru "indivíduo que come",
índios barrigudos, segundo a língua tupi, pelo Padre Jesuíta Manuel de Paiva.
Nascestes Guarulhos, de Nossa Senhora da Conceição.
Da minha cidade nasce o norte ladeirento,
indócil e o sol, quando chega, penetra-a delicadamente,
carinhosamente, depois de vencido o nevoeiro...
Ao sul do Tietê, a oeste o Cabuçu...
Sua riqueza primeira, de ouro e mineração.
As minas foram descobertas,
segundo Afonso Sardinha, a denominação ,
o progresso então chegou e a Maria Fumaça, que passa com a produção...
Minha cidade é linda...
Tem suaves montanhas.
O amanhecer é sorridente,
qualquer alma doente se cura com as nascentes.
No passado bastaria lançar os olhos ao horizonte...
E com familiaridade e doce intimidade,
a natureza de pertinho nos blindava a mocidade.
Ter olhos sagazes no presente, ao ser...
Para ir reconstruindo todas as belezas,
por nossos olhos já conhecidas.
É preciso ter visto antes, para reconhecer.
Em 1915, os atos da Câmara já diziam,
contra o desmatamento,
a implementação do esgoto,
a poluição da água,
o abastecimento.
Três autoestradas chegaram, a população superou 1 milhão,
Quanta magnitude, mais educação, mais emprego e mais saúde;
o aeroporto, o progresso agregou-se, quem preocupou-se?
E a questão ambiental, mercantilizou-se?
Tornou-se uma cidade importante,
onde a paisagem verticalizou-se em torres de concreto, tão de perto.
E ainda temos o viaduto “Cidade de Guarulhos”, refletindo por um momento, tornou-se um importante monumento.
Essa cidade de todos,
os direitos e os deveres,
os versos e adversos,
te amo minha metrópole,
Guarulhos cidade progresso.



Ser idealista

É ostentar ensejos que ultrapassam o Ego.
Admitindo e lutando pelo que legitimamente acredita-se,
é ser conduzido pelo coração , pela paixão , pelo incontrolável clamor
do espírito norteado por inspiração divina, demonstrando coerência
entre as suas ações e os discursos ideológicos que defende,
em todos os feitios da sua existência . Necessariamente se alicerçando
com conhecimento dentro do seu mundo pessoal e dos princípios que os
guia , para depois sair à luta consciente dos objetivos a serem conquistados,
livres de interesses pessoais , emocionais , religiosos , políticos e sociais .
Norteando-se pelos princípios éticos e morais. Sem importar-se sobre o
julgamento alheio, afim de desviar-se das causas mercantis , e enfrentar
com coragem a oposição e suportar o tempo para que os cínicos sejam
desmascarados. Encontrar-se-á sempre ligado aos desígnios superiores
e não aos poderes constituídos pelo Homem.
Sensibilizado pela realidade que o cerca, o idealista sente compaixão por
qualquer injustiçado em qualquer parte do mundo, Ele escolhe estar ao
lado dos mais fracos por opção e não por analogia de vivências ou
identificações concretas com o problema. Mas mesmo estando do
lado de quem sofre , jamais seria parcial com os que não sofrem ,
pelo simples fato de que a Justiça está acima de qualquer lado .
Abaliza os vários pontos de vista de forma complexa , sem sectarismo ,
sem dogmas , sem preconceitos . Polemiza qualquer discussão para
abranger todos os ângulos da questão .
O idealista é o que é, não se importa em ser ou não ser aceito, pois
não se apega a estereótipos. Fala o que pensa com espontaneidade, 
“abre a ferida”para que de fato possa ser curada, por isso todo idealista surpreende,
incomoda e muita vez assusta. O Idealista padece muito uma vez que,
não podendo modificar o mundo, sente-se desarticulado, vivendo
forçado em um mundo que não aceita. Por isso muitos idealistas
tornam-se alcoólatras, quando não, drogados. Partindo dessa
conjetura é preferível ser um idealista focado dentro do campo
da realidade, viver entorpecido apenas pelo desejo de justiça,
e assim passar mais tempo lutando pela causa, pois sua vida, já não é mais unicamente sua.






Vanderlei MUNIZ

Vive com as pessoas como se Deus te estivesse a ver; fala com Deus como se as pessoas te estivessem a ouvir.

Sêneca


Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

Voltaire

domingo, 20 de novembro de 2011




KARDEC e MARX: O impensável encontro!


Quem tiver curiosidade suficiente poderá fazer uma procura em sites de busca e encontrará um texto que fala do encontro ocorrido entre Marx e Kardec. A tese é defendida pelo pesquisador espírita Sr. Clóvis Nunes.

Dedico parte do meu tempo a pesquisa da sociologia espírita, na procura de um entendimento de como se opera a relação do mundo espiritual com o mundo da matéria bruta onde se manifesta o espírito encarnado. Neste estudo percebi que nós encarnados é que temos a responsabilidade direta sobre a matéria densa que afeta as relações sociais inerentes a vida efêmera no planeta. Recebemos a influência dos irmãos desencarnados, mas somente nós possuímos a capacidade de atuar sobre a matéria no planeta.

As ideias dão forma a matéria e a razão diz que não pode a criatura superar o criador, ou seja, a matéria não deve dominar o espírito. Portanto, cabe a nós, como espíritos espíritas e, conhecedores da verdade, entender a importância da influência do mundo dos espíritos em nossa vida, compreender que estamos sempre recebendo a ajuda dos irmãos libertos da prisão da carne, que nos auxiliam na compreensão do que realmente importa para a nossa evolução moral e, por consequência da sociedade humana que nos inserimos como espíritos encarnados.

Karl Marx cumpre um papel importante na evolução da sociedade humana rumo ao progresso, progresso que passa por um período de domínio do materialismo, da ganância, em que um irmão explora o outro com objetivo da satisfação das paixões da carne. Karl Marx percebe este momento, mas devido à aproximação da Igreja Católica com os interesses da política humana, Marx de forma hábil preconizou um “socialismo materialista”, onde a presença de Jesus não pôde ser realçada devido à ligação errônea da Igreja moderna com o Estado capitalista.

O “socialismo científico” é materialista, pois um socialismo sem Jesus é algo vazio, que se esfacela com o tempo, algo já demonstrado na prática pela ruína da antiga União Soviética.

O socialismo defendido pela sociologia espírita é de cunho puramente humanista, tendo como base a vida e exemplo de Jesus e a dos primeiros apóstolos. E não queiram dizer alguns que a realidade atual é diferente, que não podemos nos basear na vida dos apóstolos para defender uma mudança no mundo, pois se assim o fizermos teremos que afirmar que Jesus também está ultrapassado, o que não é verdade, pois nem perto moralmente nos aproximamos Dele.

Marx conhecia o assunto, certamente leu o “Atos dos Apóstolos”, mas queria romper com a Igreja Católica – ou qualquer religião humana – que justificasse a exploração do homem como sendo um carma, a vontade de Deus ou algo necessário para uma recompensa futura depois da morte. Como diz Jacob Holzmann Netto, no livro Espiritismo e Marxismo:

O desejo de emancipar o homem da escravidão econômica, a fim de alçá-lo à condição de cidadão livre e enobrecido pela nova ética do trabalho, levou Marx a bosquejar um homem sem implicações com o espiritual e o eterno. Crendo que o espírito representava um entrave para o advento de uma sociedade sem classes, porque tanto o filósofo idealista quanto o religioso sufocavam as reivindicações dos oprimidos ao falar-lhes de uma hipotética felicidade ultraterrena, com o que legitimavam a indiferença e o egoísmo dos opressores, o autor de "O Capital" preferiu matar o homem espiritual e suas poéticas esperanças de recompensa no mais além, atendo-se tão somente à realidade das coisas objetivas, e concebeu um homem material, cujo destino não ultrapassa sua morte física.

O espiritismo entende que o futuro da humanidade é o socialismo, e vários livros psicografados, como “Violetas na Janela” e “Nosso Lar”, mostram na organização política da cidade espiritual a ausência da propriedade privada e da recompensa do pagamento pelo trabalho realizado. O pagamento no mundo espiritual quando necessário – para os que ainda possuem a mentalidade do encarnado-materialista – é feito pelo “bônus hora”, uma moeda intransferível e que não tem valor de troca, algo que impede a acumulação e a exploração do irmão, pois não existe trabalho que alguém solicite a outro ou receba deste, que possa ser remunerado de forma interpessoal, como na atualidade em nosso planeta.

Marx faz o rompimento necessário com Estado capitalista e a Igreja, para que possa rascunhar um “socialismo livre” da influência de ambos, o que é um grande passo rumo ao “socialismo cristão do porvir” ou “socialismo de Jesus”, que nos fala Emmanuel no livro “Emmanuel”:

A estabilidade da Civilização Ocidental, sua evolução para o socialismo de Jesus, dependiam da fidelidade da Igreja Católica aos princípios cristãos.

Mas, a Igreja negou-se ao cumprimento de sua grandiosa missão espiritual e o resultado temo-lo na desesperação das almas humanas, em face dos problemas transcendentes da vida.

Marx foi alguém com a tarefa necessária e antecipada para a futura implantação do “socialismo de Jesus”, e isto é percebido através do relato dos espíritos na data de 30 de abril de 1856:

"Quando o grande sino soar, vós o deixareis; somente aliviareis o vosso semelhante; individualmente, o magnetizareis, a fim de curá-lo. Depois, cada um preparado no seu posto, porque será necessário de tudo, uma vez que tudo será destruído, sobretudo por um instante. Não haverá mais religião, e dela será necessária uma, mais verdadeira, grande, bela e digna do Criador... Os seus primeiros fundamentos já estão colocados... Tu, Rivail, a tua missão aí está. (Livre, a cesta retornou para o meu lado, como o faria uma pessoa que quisesse me designar com o dedo.) A ti, Sr... a espada que não fere, mas que mata; contra tudo o que é, serás tu que virás primeiro. Ele, Rivail, virá em segundo: é o obreiro que reconstrói o que foi demolido."

O Sr. M..., que assistia a essa reunião, era um jovem homem de opiniões as mais radicais, comprometido nos assuntos políticos, e que era obrigado a não se colocar muito em evidência. Crendo num transtorno próximo, se preparava para nele tomar parte, e combinava os seus planos de reforma; era, de resto, um homem agradável e inofensivo. (KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Primeira revelação de minha missão)

Em 12 de maio de 1856, em sessão pessoal na casa do Baudin, Kardec pergunta:

Pergunta . (À Verdade). . Que pensais do Sr. M.? É um homem que terá influência nos acontecimentos?

Resposta. . De muito ruído. Ele tem boas idéias; é um homem de ação, mas não é uma inteligência.

Perg. . É preciso tomar ao pé da letra o que foi dito, que lhe cabia o papel de destruir o que existe?

Resp. . Não, quis personificar nele o partido do qual representa as idéias.

Perg. . Posso manter relações de intimidade com ele?

Resp. . Não para o momento; correrias perigos inúteis.


Em “Obras póstumas” Kardec demonstra conhecer o Sr. M, mas se este senhor é Karl Marx, isto é uma incógnita. O pesquisador Clóvis Nunes afirma que Marx freqüentava reuniões espíritas e, portanto, seria perfeitamente possível que o Sr. M citado seja Marx, já que no livro “O Capital, volume I – no título 4. O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, Karl Marx torna evidente o seu conhecimento das reuniões espíritas, leia o texto a baixo do referido capítulo:

"À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa trivial, evidente. Analisando-a, vê-se que ela é uma coisa muito complicada, cheia de sutileza metafísica e manhas teológicas. Como valor de uso, não há nada misterioso nela, quer eu a observe sob o ponto de vista de que satisfaz necessidades humanas pelas suas propriedades, ou que ela somente recebe essas propriedades como produto do trabalho humano. É evidente que o homem por meio de sua atividade modifica as formas das matérias naturais de um modo que lhe é útil. A forma da madeira, por exemplo, é modificada quando dela se faz uma mesa. Não obstante, a mesa continua sendo madeira, uma coisa ordinária física. Mas logo que ela aparece como mercadoria, ela se transforma numa coisa fisicamente metafísica. Além de se pôr com os pés no chão, ela se põe sobre a cabeça perante todas as outras mercadorias e desenvolve de sua cabeça de madeira cismas muito mais estranhas do que se ela começasse a dançar por sua própria iniciativa."

Kardec e Karl Marx são contemporâneos e a cada um coube a sua missão. No espiritismo acreditamos numa dialética não materialista e que a evolução humana é constante e progressiva. Para que no futuro a humanidade abandone o egoísmo caracterizado pelos sistemas políticos materialistas, são necessários períodos de transição, como o marcado pelo pensamento marxista, já que não pode existir a mudança abrupta de uma realidade social materialista para outra mais humanista sem a ruptura de paradigmas. Neste sentido é que inicia a influência do pensamento social espírita. Marx antecede Kardec como já fora dito pelos espíritos e, Kardec é que reconstruíra o que foi demolido, ou melhor dizendo, o espiritismo reconstruíra.

"A ti, Sr... a espada que não fere, mas que mata; contra tudo o que é, serás tu que virás primeiro. Ele, Rivail, virá em segundo: é o obreiro que reconstrói o que foi demolido.”

Postado por Alexandre Nunes.
Postado por Carlos Vereza